Editorial de Dezembro 2025
“Quem planta, colhe!
Quem semeia vento, colhe tempestade”
Quem semeia desinteresse e oportunismo,
fica com as mãos abaladas e os bolsos vazios!
Neste fim do ano 2025 prestes a terminar, somos chamados a fazer uma revisão das nossas actividades, dos nossos compromissos, das conquistas e fracassos, de modo a avançarmos para o novo ano com toda a determinação para darmos continuidade com toda a força e energia.
Depois das comemorações dos 40 anos de vida da KULIMA, o ano 2025 foi determinante para consolidar toda a estrutura física e moral, composta por quadros mais dedicados e determinados a perseguir os Objectivos da nossa Instituição.
Foram determinantes os Programas de Emergência em apoio às famílias afectadas pelos ciclones e pela guerra em Cabo Delgado, Nampula e Beira, tentando dar uma mão à reabilitação e reconstrução de casas mais resilientes em vista de novas circunstâncias adversas que podem aparecer e apoiando as famílias a se engajar em actividades produtivas (FAO em Cabo Delgado e em actividades de retomada de vida normal depois da guerra (Save the Children em Montepuez).
Foram determinantes os programas de desenvolvimento rural no Niassa, em Cabo Delgado e Nampula, os programas de saúde na Zambézia, os programas de Água e Saneamento em Tete, os Programas Ambientais da região Sul, na Capital, na Matola, em Gaza e Inhambane, incluindo Manica.
Enfrentamos diversas dificuldades durante a sua execução, mas além de dar apoio às famílias necessitadas, crescemos em conhecimentos técnicos, em métodos para sermos eficazes e melhorámos a nossa capacidade de serviço.
Em suma, estamos vivos e com vontade de continuar!
Ao mesmo tempo,
- Semeamos toda uma série de propostas de programas, sobretudo com a operacionalidade do Centro de Serviço, que se tornou mais excelente na sua capacidade de serviço em lobbying e Advocacia, atingindo metas de aprovação de propostas que vão ser executadas no próximo ano;
- desenvolvemos e consolidamos parcerias de longa duração, em vista de estarmos juntos com Organizações capacitadas de fundraising e com conhecimentos avançados no desenvolvimento rural integrado, tais como OCHA, FAO, UNICEF, PMA, CHEMONICS, Open Society, Maliasili, IDEPA, entre outras.
É isso mesmo: “Quem semeia, colhe”! Relembro que a KULIMA não é uma Empresa profit, que vive de lucros pelas suas actividades comerciais; é um Organismo vocacionado ao serviço dos mais necessitados e, para tal, bate todos os dias às portas dos Doadores para obter fundos para realizar as suas atividades. Assim, devemos continuar a manter os olhos abertos para identificar doadores interessados no Desenvolvimento de Moçambique.
Cuidado com “Quem semeia vento, colhe tempestade”. Não foi o caso da KULIMA e dos seus quadros. Os momentos de falta de compreensão e de diálogo entre nós foram casuais e de curta duração e não ditados pela má vontade de semear discórdia, tentando estragar a harmonia de entendimento que existe entre nós. Continuamos a crescer unidos e coesos em vista de implementar e fortalecer os pilares da nossa Instituição.
Cuidado com “Quem semeia desinteresse e oportunismo, fica com as mãos vazias e os bolsos vazios!” Ainda não é o caso da KULIMA, apesar de transparecer, nalguns quadros, aquela atitude de ser “trabalhador” e não totalmente “comprometido” com os interesses da Instituição. Apesar do respeito e do engajamento, há alguns quadros que manifestam pouco interesse no crescimento da nossa Instituição. Todos devemos sentir-nos como um único grupo dedicado aos interesses da nossa Instituição.
O Interesse e a Dedicação têm um retorno positivo para todos. Ao mesmo tempo que a nossa organização cresce e se fortalece, de igual modo se assegura o crescimento de cada um de nós!
Outros pontos que devemos aprofundar e evidenciar neste fim do ano, em vista do arranque de 2026: INOVAÇÃO e IMPACTO
- Fomos inovadores nos programas que realizamos? Ou trabalhámos de forma estandardizada? Como se o nosso engajamento se tratasse de trabalharmos numa cadeia de montagem? Fazemos as coisas de rotina e mais nada?
Precisamos colher o melhor da Cooperação, identificar as melhores práticas nas diferentes áreas de actuação e manter uma atitude de inovação perante as Comunidades beneficiárias e executoras.
Além das inovações técnicas, a melhor, em termos de sucesso, e que devemos manter forte, é a comparticipação comunitária, transferindo a ela toda a responsabilidade de planificação, de execução e de continuação por longo tempo! Ouvir nas Comunidades que a KULIMA nos ensinou isso, que a KULIMA nos deu instrumentos de crescimento… tudo isso valoriza a nossa Acção!
- Tivemos impacto e sucessos nos programas que realizamos? Ou estivemos preocupados em realizar o quanto proposto pelo programa e mais nada?
Da análise efectuada de uma forma ponderada… realmente temos muito que melhorar. Os impactos imediatos, sem continuidade, depreciam a nossa acção! Tivemos vários sucessos imediatos… na agricultura, na Água e saneamento, no Micro-crédito, na promoção da Mulher, no empreendedorismo juvenil, no abrigo, na educação e noutros ramos de desenvolvimento, mas faltou, muitas vezes, a garantia de sucessos de longa duração. Quantos programas bem executados… bem terminados… e depois tudo desaparece!!!!!
Caleiras caídas, vidros quebrados, quadros pretos estragados, tanques sujos e sem uso, comercialização parada e manutenção de estruturas de água paradas… Isso não pode acontecer.
Devemos mudar de rota! Tudo de bom que fazemos deve perdurar por muito tempo!
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Um abraço forte,
Domenico Liuzzi,
Director Nacional da KULIMA.






