Editorial de Junho 2026

A Força da UNIDADE na Vida da KULIMA
Como mantê-la e fortalecê-la!

 

"Juntos somos mais fortes, mais eficazes e mais Capazes de transformar vidas."

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Há momentos em que me sinto sozinho, como se estivesse abandonado da parte de muitos, não todos, como se tudo dependesse de mim e, largando a Direção e o interesse pela vida da KULIMA, a mesma iria entrar em crise.

Há momentos em que sinto que cada membro, efetivo ou honorário, sobretudo dos mais velhos e engajados, quer tomar a dianteira e sentir-se dono da situação, dono de dirigir com ou sem consentimento e harmonização de todos.

Há momentos em que o diálogo sincero e sereno entre nós fica ofuscado por interesses e motivações que não se entendem de imediato.

Há momentos em que o crescimento da vida da KULIMA não interessa a ninguém, senão a poucos, e o único interesse é poder ter um salário ou uma recompensa pelo trabalho que se realiza.

Há momentos em que não sei se devo confiar em alguém que me mostra muito interesse pela unidade e depois, nas costas, fala mal e envergonha a vida da KULIMA.

São momentos de desconforto que duram pouco tempo, graças a Deus, porque a confiança entre todos nós e o sentimento mais forte que sempre cultivei e continuo a cultivar dão-me força para ir para a frente!

São momentos que entristecem, mas que passam, como passaram tantos momentos de luta ao longo dos 40 anos de vida da KULIMA, em defesa da nossa visão de dedicação total à causa dos mais pobres e à promoção do seu crescimento.

Último facto destes dias de JUNHO: a desconfiança de alguns Doadores internacionais e membros da direção do Governo local, que denigrem o comportamento da KULIMA em ações de emergência humanitária, somente para salvaguardar os interesses deles, a boa relação política entre Doadores e Governo, incapazes de conhecer profundamente o que realmente se passa e sem nenhum interesse ao serviço dos que sofrem.

A resposta concreta à emergência para com os que sofreram desastres é o último anel da cadeia. Os primeiros e prioritários são o bom relacionamento entre Doadores e Governo. Tudo se torna “ação política e de poder e de garantia de fundos” e aquilo de que concretamente as pessoas necessitam passa sempre para segundo plano.

Hipocrisia total!

O Doador constrói uma máquina burocrática excelente e superalimentada com fundos da cooperação; criam-se clusters especializados e desmembrados por categoria, comunica-se com as estruturas do Governo e alimenta-se a boa relação, os que sofrem são os últimos a serem considerados, culpados ou simplesmente servidores.

O pior é que os mesmos Doadores ou intermediários dos grandes Doadores, para salvaguardar o bom nome e a porta aberta à receção dos fundos, são capazes de denegrir os intermediários que operam no terreno e, apesar de demonstrarem estima e consideração, preferem cortar relações para não perder os fundos dados para sobreviver com as estruturas deles, sempre ricas em tudo, com gastos que ultrapassam os padrões da cooperação, tanto, a faca está na mão deles e nós devemos somente obedecer.

Como pode uma ONG internacional, estimada a nível mundial, por ter recebido a ordem de cortar as relações financeiras e laborais com uma ONG nacional, quebrar a relação, anular os contratos, mandar para a rua dezenas e dezenas de trabalhadores e anular todos os serviços a prestar a milhares de pessoas necessitadas, cujo apoio estava confirmado? 

Nela não há um mínimo de coragem nem capacidade de assumir os riscos da parceria cultivada sinceramente durante anos... digo sinceramente até não entender a verdadeira postura dela na vida da Cooperação Internacional.

São pessoas vocacionadas somente para a receção dos fundos da cooperação, que os alimentam muito bem e não têm espírito de serviço humanitário, embora isso seja proclamado em todos os programas de comunicação e propaganda!

Vejo que o que interessa é somente o dinheiro para manter todos os seus membros e as suas bases internacionais. Da vida e do crescimento de Moçambique nada de nada!

Não estou contra as pessoas, que considero honestas e de boa vontade, mas contra o sistema que as escraviza e as torna despóticas, preocupadas apenas com o Poder.

Pensava que esta era uma doença dos políticos, e não das Organizações Humanitárias, mundialmente renomadas e de prestígio. Enganava-me, depois de deparar com casos frequentes e negativos!

 

um ditado que diz: Fala bem, mas rola mal!!! Cuidado!

 

 Perante estes acontecimentos, sinto muito a necessidade de insistir sobre o tema mencionado:

A Força da UNIDADE na Vida da KULIMA 

Ao longo dos nossos mais de 40 anos de existência, a KULIMA – Organismo para o Desenvolvimento Socioeconómico Integrado – tem sido uma referência de compromisso, solidariedade e serviço prestado às comunidades.

Nenhuma organização alcança um percurso como este sem um elemento fundamental: a unidade.

A unidade é o fator que transforma um grupo de pessoas numa verdadeira equipa. É ela que permite superar dificuldades, responder a emergências, conquistar a confiança dos parceiros e manter vivo o propósito institucional.

Necessitamos fortalecer a nossa Missão Institucional: quando todos trabalham com os mesmos objetivos e valores, a organização avança numa única direção, evitando conflitos e dispersão de esforços.

Necessitamos aumentar a Capacidade de Resposta: Em momentos de emergência, desastres naturais ou crises comunitárias, a unidade permite agir com rapidez, coordenação e eficácia.

Necessitamos promover a Aprendizagem Mútua: cada colaborador, voluntário e membro possui experiências valiosas. A unidade facilita a partilha de conhecimentos e fortalece a capacidade coletiva.

Necessitamos criar Resiliência:As organizações unidas enfrentam melhor os desafios financeiros, operacionais e institucionais.

Necessitamos criar Confiança: Parceiros, doadores, autoridades e comunidades reconhecem organizações coesas, transparentes e alinhadas.

E, perante a desconfiança manifesta nestes programas de emergência, necessitamos de calma, paciência e muita vontade de manter o diálogo, de modo a convencer os outros a estarem unidos connosco, resolvendo os conflitos rapidamente e sobretudo mantendo uma unidade forte entre nós.

A unidade não significa pensar todos da mesma forma. Significa caminhar juntos apesar das diferenças, colocando a missão acima dos interesses individuais.

 

A força da KULIMA não está apenas nos seus projetos, recursos ou infraestruturas. A sua verdadeira força está nas pessoas que acreditam na missão e trabalham unidas para servir as comunidades. 

QUE CONTINUEMOS SEMPRE JUNTOS, ATIVOS E COMPROMETIDOS, FORTALECENDO A UNIDADE QUE TEM SUSTENTADO A KULIMA AO LONGO DE MAIS DE QUATRO DÉCADAS DE SERVIÇO ÀS POPULAÇÕES MAIS VULNERÁVEIS.

 

"Unidos na missão, fortes na ação, transformando vidas para um futuro melhor."

  • Um abraço forte, 
  • Domenico Liuzzi, 
  • Director Nacional da KULIMA
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