Editorial de Agosto

 

Linda notícia! A GAIN já tem novo Diretor Nacional!

Gostaria tanto de congratular-me com o recém-nomeado Director nacional da GAIN Moçambique, Sr. Gaspar Cuambe. A sua personalidade é muito conhecida e temos Certeza que vai dar uma forte contribuição à luta contra a malnutrição. Votos de sucesso!

Uma nota:

Caro Gaspar, não se esqueça nos seus planos operacionais, que, juntos, podemos fazer muito, como organizações ativas engajadas na luta contra a malnutrição. A doença que denomino “neocolonialismo social do terceiro sector humanitário”deve acabar e as Organizações humanitárias do Norte do Mundo devem somente facilitar o crescimento dos Operadores do Sul. 

Sempre disponível na colaboração!

 

É a mensagem que enviei ao novo Diretor da GAIN para estimular ele na parceria e serviços comuns que devemos ter juntamente com os membros das comunidades a beneficiar em todos os programas a realizar.

 

O que aconteceu e acontece ainda em Moçambique?

Todas as ONGs Internacionais chegam com programas humanitários e com uma filosofia de atuação, onde prometem dar a máxima atenção às parcerias locais de modo a que essas possam crescer em capacidade de execução, em capacidade de Lobbing e angariação de fundos, em suma, ganhando renome perante os Doadores Internacionais para um dia sozinhas continuar a operar para o bem do País.

Boas palavras e intenções! O que acontece é mesmo o contrário! E isso acontece suportadas pela atitudes dos doadores que privilegiam as ONGs internacionais, dando confiança e todas as facilitações financeiras que este processo comporta. 

Para eles o pagamento dos Serviços Administrativos é uma obrigação e recebem sem nenhuma justificação 5,10 ate 20/25% em montantes financeiros. Para eles, a antecipação dos fundos nem passa pela cabeça. O programa inicia quando é enviada a primeira tranche prevista pelo contracto. 

Para nós locais e moçambicanos, devemos pagar emolumentos ao Tribunal Administrativo, devemos pagar as garantias de 5 % sobre o valor do Programa e pagar a garantia da primeira tranche. Depois pagar com enormes atrasos, somente com a verificação das ações dos programas realizados, com possibilidade de redução de fundos quando é descoberta uma falha ou um atraso.

Os valores, pois, de honorários são exorbitados, apesar de estarem em sintonia com as regras dos países de origem e levam do programa mais que 50% do total previsto, resultando a que os valores não beneficiam em quase nada as comunidades beneficiárias.

Para nós locais e moçambicanos, devemos respeitar a política local, sentirmos pobres com os pobres e no fim do programa, entregar tudo o que serviu para a realização do programa ao Governos e aos Beneficiários diretos. 

Para nós locais e moçambicanos ficam somente migalhas e honra de ter realizado um programa, diminuindo em cada programa realizado a capacidade financeira de atuação! Caros sempre mais velhos, computadores antigos e mobiliário de anos atrás. Nem passa pela cabeça a necessidade de sustentar a ONG local a se tornar forte para enfrentar novos desafios!

Nos sentimos, às vezes, como mainato, como empregado doméstico, como moleques, com salário mínimo. Depois de tantos anos de trabalho e de engajamento social, voltamos a ser mais pobres em relação aos trabalhadores de empresas privadas ou empresas de consultorias Profit, apesar de tentares pintar-se como não-profit.

 

Como podemos mudar esta situação?

Em primeiro lugar são os Doadores, que sempre declaram publicamente que as ONGs internacionais devem ser formadores e facilitadores das ONGs Nacionais e devem praticar quanto declaram cm os factos. Há casos excecionais, onde o doador exige que o team líder seja nacional! Fantástico. Mas, nem chegam a serem contados nos dedos duma mão!

Em segundo lugar os legisladores moçambicanos, que devem ser mais claros nos processos de admissão no território moçambicano. Uma vez admitidos a operar no nosso território, acaba toda a monitoria das suas ações. Cada dois anos é pedido a renovação, que se reduz a um documento fictício, sem um controle verdadeiro no terreno. Quanto seria útil uma avaliação periódica e com a participação de todos, beneficiários, parceiros e membros do Governo!

Em terceiro lugar, somos nós, ONGs Moçambicanas, que devemos juntar os esforços e constringir todos a realizar parcerias eficientes e de igual dimensão de serviço. Isso leva a fazer valer os nosso direitos de participação e não que se volte a instaurar o chamado neocolonialismo social do terceiro sector humanitário”, como mencionava no início deste editorial!

 

Vale a pena ainda confiar nas Parcerias internacionais?

Vale a pena ainda aceitar programas com Organismos internacionais que têm uma diferente atitude de suporte, privilegiando os Internacionais em detrimento dos Nacionais? 

 

Como, juntos, podemos crescer num verdadeiro serviço sustentável?

Não podemos recuar.

Não podemos assistir passivamente.

Devemos agir e potenciar a nossa capacidade laboral e financeira. Dando garantia de capacidade de execução e capacidade financeira, com profissionalismo!

Há vários exemplos noutros países africanos, como a Africa do sul, o Kenya, a Uganda, o Ghana e tanto outros que conhecemos, onde as ONG’s locais cresceram muito e a elas é confiada uma enorme quantidade de responsabilidade, sem pensar ao apoio de expert internacionais.

Devemos colher as melhores práticas, criar empoderamento dos nossos quadros, fazer parcerias locais com outras instituições e propor programas verificáveis e de impacto.

Devemos ser credíveis, de modo a que a liderança seja confiada a ONG Moçambicana!

 

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Um abraço forte, 

Domenico Liuzzi,

Director Nacional da KULIMA.

 

 

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