Editorial de Outubro

Dilema da KULIMA: Kulima, vocacionada para fazer obras de caridade ou de desenvolvimento sustentável?

Alerta da “Aqua for All” da Holanda na sua análise de possibilidade de financiamento para represas e para captação de água nos riachos periódicos.

 

Em Julho, em resposta a um anúncio de cooperação, enviamos uma proposta rica, convincente, realizável, com resultados efetivos e que deveria ser aprovada com toda a certeza por parte da “Aqua for All” da Holanda. Estava baseada na nossa experiência positiva do programa PACA, financiado pela União Europeia e que teve resultados palpáveis e portanto replicável.

Qual foi o nosso espanto? Chegou uma resposta que considerava a proposta interessante, mas que tinha um caracter de “caridade”, de apoio comunitário sem bases de retorno financeiro, sem ter um caracter de investimento e portanto fora da possibilidade de financiamento por parte deles.

Tudo isso fez refletir e continua a suscitar ideias concretas para o nosso futuro de cooperação com as Comunidades pobres de Moçambique. Como fomentar um desenvolvimento sem cair numa atitude de caridade, que trava o processo de crescimento sustentável? Como engajar membros de comunidade e transformá-los em empreendedores ativos e rentáveis, sempre em benefício das mesmas comunidades?

Em suma, como agir com as comunidades pobres de modo que possam realizar programas que garantem um crescimento real económico e de longa duração, tornando-se estruturas criadas no seio das mesmas comunidades, mas com uma garantia de continuidade e de crescimento económico?

Penso que muitas vezes não somos bem entendidos quando apresentamos propostas de desenvolvimento; os Doadores olham com esquemas mentais pre-configurados e não olham à essência da nossa Ação! Tudo, onde não circula moeda com retorno de lucro, é caridade, é tempo perdido e não se alinha com os tempos modernos.

A inovação não pode ser vista somente em relação ao engajamento de alguns “privados” que pela expertise deles, dão serviços com garantia de lucros! Estas iniciativas são importantes e devem ser fomentadas, com certeza, mas as inovações comunitárias no campo da Água e Saneamento, no fomento agropecuário, na Educação e na Promoção Social educativa e sanitária são extremamente necessárias para um crescimento rápido e global da comunidade.

Da mesma maneira como uma estrada, uma ponte, uma infraestrutura pública são de impacto no Desenvolvimento Comunitário, a mesma estima e o mesmo apoio deve ser dado para obras de impacto comunitário, onde o Governo tem dificuldade de realizar. É o caso de Represas, de captação de água nas regiões áridas, escolas primárias e centro de saúde onde o Governo não tem perspetivas de ação nos seus planos de desenvolvimento. Denominamos essas áreas, essas comunidades remotas e periféricas, onde a atenção das ONG’s deve prestar toda a sua atenção.

Por essa razão, fiquei espantado com a análise feita pela Organização que luta pela ”Aqua for All” e na prática limita a sua ação somente para iniciativas que respondem a cálculos financeiros de empreendimento com garantia de lucros.

Deveriam mudar o título da própria organização:

de “Aqua for All”…

para…. “Water for all entrepreneurs who want to provide a water supply service”.

O título porém seria grande…. E ineficaz para a visibilidade de cooperação!

Contudo, reformulando a filosofia da nossa Ação de Desenvolvimento integrado e de Promoção Social, a KULIMA persegue o caminho dum Desenvolvimento Sustentável com a participação ativa de todos os intervenientes, beneficiários diretos da Ação, que assumem as responsabilidades de criação e de manutenção de todas as infraestruturas a serem criadas em benefícios das mesmas, não excluindo o apoio individual a caracter empreenditorial.

A visão de risco, que a infraestrutura se estraga e perde de capacidade de serviço deverá sempre ser encarada e prevenida, de modo a garantir que a mesma tenha uma visão de serviço de longa duração e de eficiência.

Uma estrada, um aponte, uma represa, uma infraestrutura hídrica…. Estão na mesma dimensão! Todas exigem uma adequada Manutenção e uma visão de longa duração nos seus serviços!

A visão integrada implica o crescimento conjunto seja do indivíduo, como do coletivo em moldes associativo ou cooperativo, em vista dum crescimento global e harmónico da Comunidade.

 

Água para todos é um direito! E como tal deve ser encarado sem limites de apoio!

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Um abraço forte, 

Domenico Liuzzi,

Director Nacional da KULIMA.

 

 

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