Editorial de Março

 

A grande família KULIMA – como manter-se viva em tempo de crise?

Iniciativas para a sua Sustentabilidade

Na região sul, todos os programas de Emergência, da TESE para a criação de micro-sistemas hídricos, da FAO em resposta à emergência na agricultura, da OXFAM em apoio à quatro Distritos da Província de Maputo em Água e Saneamento, Segurança Alimentar e apoio à pecuária, terminam ao mesmo tempo e assim iremos iniciar o mês de Abril com um pessoal que termina com as suas actividades.

Durante este primeiro trimestre toda esta situação colocou mesmo a KULIMA perante um grande desafio de capacidade de resposta, e conseguimos, apesar de termos necessidade de ainda um mês para finalizar diferentes actividades em curso.

Estamos com Técnicos formados e especializados em diferentes áreas, que de repente não poderão renovar os seus contractos e ficar em stand by em vista de futuros compromissos!

Mas, não pode ser assim! Não podemos relaxar…. A vida deve continuar e assim como os compromissos gerais da nossa Instituição devem continuar, de modo a sermos sempre vivos na Sociedade Civil Moçambicana.

Sinto que a sensibilidade, o estado de ânimo desses trabalhadores é de desilusão, de paciência, de certa apatia perante desafios. Falta neles o amadurecimento de se sentirem membros duma mesma família que luta pela sua Sustentabilidade. Se chega ao ultimo dia de contracto laboral sem que haja uma discussão para um futuro engajamento, uma análise conjunta com a Direcção de modo a encontrar formas de engajamento apesar de não termos certeza de retribuição salarial

Isso desanima! É verdade que somo uma ONG que depende dos fundos dos Doadores e ao mesmo tempo agimos como uma empresa, com ideias claras de autosustento; mas isso não elimina a vontade de procura, de apresentar soluções de sermos inovativos e termos capacidade de manter todos os quadros que se sentiram membros efectivos da KULIMA e que tem mesmo capacidades de responder aos Objectivos da mesma!

Porque é que terminado o contracto laboral não há aproximação com a Direcção, não há despedida familiar com agradecimentos dos serviços prestados. Domina o estado de aceitação, de fatalismo, como se tratasse de Patrão e Empregado, sem nenhuma proposta de continuação em contrapartida à situação de cessão de funções laborais.

Precisamos duma revisão interna do pessoal da KULIMA. Precisamos de sermos constituídos de quadros motivados por uma causa comum.

Mas, como atingir esse objectivo, que faz parte integrante da vida da KULIMA, mas que, quando acaba um programa, ficamos sempre perante esta situação que desilude a todos?

Os instrumentos existem. Falta a sua aplicação!

Além da capacidade de Fundrising que cada ONG tem e aplica para a sua sustentabilidade, e portanto com o fortalecimento do Centro de Serviços de modo a ser bem capacitado em fazer ganhar propostas duma forma permanente em favor dos quadros operativos na Instituição,

Vamos aprofundar os seguintes conceitos, com a esperança de abrir um diálogo! :

  1. Um programa preparado e em fase de realização deve preparar um outro programa para o futuro. (Isso deriva do conceito de Empreendedorismo e de marketing)!

     

  2. Os relacionamentos havidos durante a realização dum programa, seja com o Doador, seja com as Autoridades governamentais, seja com os beneficiários directos devem encontrar formas de continuação depois do termo do programa.

     

  3. O conceito de auto sustentabilidade inserida na vida a comunidade beneficiada, deve facilitar o pedido e a forma de solução de outras iniciativas a serem realizadas nas mesmas comunidades, mesmo com capacidade própria da comunidade, com o auxílio dos técnicos que realizaram o programa anterior. (É o caso dos Programas de legalização de Ocupação de Terras, onde as comunidades recolhem fundos para se fazer reconhecer como donos da terra que ocupam e usam para o seu sustento, entre outros…).

     

  4. O engajamento na Organização KULIMA, mesmo sem contracto salarial, mas como Membro activo e disponível a colaborar para a realização dos Objectivos da Instituição! (Exemplo dos membro dum Clube desportivo, duma comunidade religiosa ou mesmo dum partido político…)

     

  5. Sermos membros da KULIMA, mas com capacidade financeira própria, fruto de engajamento pessoal em actividades empreendidoriais. (É o caso do uso apropriado do Empréstimo disponível na KULIMA para realizar actividades que geram rendimentos…. Entre outros)

     

  6. Tornarmo-nos facilitadores de todos os processos de desenvolvimento das comunidades, abrindo para eles os caminhos de facilitação em conhecimento e em capacidades de realização. (é o caso de construção de poços, de represas, de conservação de sementes, e criação de animais, de acesso ao crédito, ente outros, onde a Comunidade tem capacidade sem esperar pelo apoio do Governo, que deve responder à outras prioridades sociais e comuns!)

 


 

Um abraço forte 

Domenico Liuzzi

Director Nacional da KULIMA

 

 

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