Editorial de Dezembro

 

Engajamento numa ONG Humanitária ou trabalhador duma Empresa?

Há uma diferença? Qual?

 

A KULIMA foi fundada em Maio de 1984 e daqui a 28 meses vai comemorar o seu quadragésimo anos de existência… e de luta para apoiar as comunidades mais pobres e negligenciadas nos planos de desenvolvimento do Moçambique.

 

Iniciamos com o apoio às comunidades de Vilanculos que hospedavam 30.000 refugiados de guerra civil, ampliamos as atividades nas zonas periféricas das cidades de Inhambane e Maxixe, seguimos com o apoio aos subúrbios das Zonas Verdes da cidade d Beira e anos após anos nos espalhamos em todo o País, tomamos uma presença efetiva com uma série de programas integrados, favorecendo as associações agropecuárias, a promoção da Mulher, a luta contra as Doenças endêmicas, a construção de infraestruturas sociais em favor da Educação e da Saúde, entre outras atividades que tem como atenção particular o crescimento social e económico das classes mais desprotegidas.

 

Tudo isso, porque somos uma ONG, uma Organização Humanitária sem fins lucrativos, e não uma Empresa de rendimento financeiros que vive dos lucros acumulados na realização de programas.

 

É verdade que ao longo destes últimos anos, técnicos superiores que tinha ganho experiência nos programas realizadas pelas ONG’s se desvincularam das mesmas ONG’s e criaram Empresas de Consultoria, empresas especializadas na realização de programas de Desenvolvimento rural, entre outras e vivem camufladas como se tratasse de ONG’s sem fins lucrativos. E tudo se mistura no caldeirão da Sociedade Civil Moçambicana.

 

É verdade que para as Comunidades pouco interessa como e por quem é realizado um serviço de apoio ao desenvolvimento. Necessitam de apoio e para elas é sempre bem-vindo.

 

È verdade que os Doadores, sobretudo hoje em dia, olham à eficácia dos programas a financiar e se uma ONG é fraca na sua realização, com certeza vão preferir uma equipa técnica, bem preparada e que dá garantia de execução completa.

 

De tudo isso resulta que uma ONG, antiga ou nova, não pode distrair-se, ser atraída pelo comportamento das Empresas e virar as suas atenções fora das linhas traçadas na sua constituição. 

Quantas ONG´s que nasceram estimuladas pelo interesse económico e pelo lucro fácil, devido à facilidade de apoio financeiros por parte dos Doadores, passado o momento de lucro efetivo, morreram, desapareceram.

Quantas empresas, mesmo pela sua constituição lucrativa, nascem e morrem como cogumelos, se reduzem a uma ou duas pessoas, esperando sempre por outros serviços de rendimento financeiro.

 

Não é o caso da KULIMA! Todos os que trabalham nela têm ou ao menos devem ter consciência de pertencer a uma ONG e não a uma Empresa!

 

Todos devem crescer e permanecer com esta vontade de colaborar com uma Entidade humanitária e eliminar da sua pessoa a atitude de Funcionário técnico… sentir-se “trabalhador”, como se tratasse dum empregado protegido pela Lei laboral.

 

É absurdo que se recorre sempre à Lei do trabalho para se sentir confiante e assegurado pelos seus direitos.

 

Quando isso aparece duma forma clara e evidente… é melhor que a pessoa peça de mudar de lugar… O lugar que ocupa não é para ela!

Deve mudar para outra organização que não distingue a atitude empresarial da atitude humanitária duma ONG.

 

Uma ONG, como a KULIMA, deve permanecer firme em perseguir os objetivos da sua constituição. 

 

É verdade que necessita de pessoas técnicas, de pessoas balizadas em matéria de Administração, de Recursos Humanos, de Promoção Social e de especialistas de Desenvolvimento rural integrado… mas sempre com o espirito de pertencer a uma ONG e não a uma Empresa.

 

“Sinto-me trabalhador, Sinto-me trabalhadora na KULIMA” e não Membro, não colaborador direto que luta para o bem da Instituição!

 

São expressões que devem desaparecer na boca de todos os que trabalham na nossa Instituição! Quem fala assim… deve considerar-se fora da nossa Instituição!

 

O Ano que se aproxima, 2022, deverá ter em forte consideração quanto dito! Votos que todos possam aderir com atitude reforçada para o bem seja individual, como da Instituição!

 

 

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Um abraço forte, 

Domenico Liuzzi,

Director Nacional da KULIMA.

 

 

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