Actividades da Kulima em relação ao Micro crédito
A experiência da Kulima:
Relacionada à experiência com o Micro-crédito a Kulima teve variadas formas da sua utilização, devido à diversas circumstâncias históricas, sociais e culturais onde operou.
A) Período de 1984 - 1988
Durante a guerra a Kulima utilizou o micro-crédito através da troca de produtos, sendo a população extremamente pobre e sem parâmetros de garantías ou juros. Por exemplo, entregamos uns instrumentos de produção e em troca , uma vez determinada a quantía com os líderes comunitários, eles oferecevam material de construção, que tinham possibilidade de procurar nas matas próximas onde se localizava o projecto.
B) Período de 1989-1995
Créditos diferenciados: os créditos eram dados segundo as circumstâncias em que vivíam os beneficiários.
Várias experiências foram constatadas na devolução dos créditos:
- Os mais baixos com devolução de 20% ( nos casos difíceis, Zambézia)
- Outros com devolução a 100% (em Sofala, Inhambane e Maputo)
- Outros com prestações por período longo
- Outros com troca de produtos do mesmo valor (ex. barco com peixe seco)
Nos últimos dois anos, sobretudo após a distensão política e o iniciao do crescimento econômico, começou-se a praticar o credito com juros, facto esse que continua e sempre em sintonia com as decisões dos líderes comunitários que apoiam e facilitam a introdução deste processo mais adulto no uso de empréstimos.
Doutro lado, vários membros das comunidades pedem uma ajuda para formular projectos a serem submetidos aos Bancos: necessita, portanto, treinar os mesmos às regras fixas bancárias, sem pecar de paternalismo ou atitudes similares.
C) Período de 1995 - 1996
Neste período trabalhamos com a " TRICKLE UP" (ONG Americana) que beneficiou, na Província da Beira, acerca de 20 grupos, (cinco pessoas por grupo).
A experiência foi positiva, introduzindo a forma associativa de cinco mulheres, que com a devolução dos fundos davam a possibilidade a outros grupos de iniciar a sua experiência de credito.
Não teve, porém, continuação, devido à escolha dos beneficiários, que eram mulheres deslocadas, que, com o fim da guerra e a retirada das minas, voltaram para as terras de origem, facto esse que dificultou a nossa possibilidade de acompanhamento.
D) Período 1997-2001
Neste período tivemos diferentes experiências com o BPD, pedindo empréstimos como Organização, conforme ás regras bancárias. Em heral não houveram problemas, enquanto a nossa ONG comprometia-se a devolver os fundos, facto esse que sempre se realizou.
§ Com o programa "Alivio à Pobreza", financiado pelo BAD, a Kulima preparou três comunidades para o utilizo do credito e uma grande quantidade de beneficiários foram preparados para o efeito.
§ Para além disso a Kulima promove o crédito interno em favor dos seus trabalhadores (que gozam de um tratamento económico especial, sem juros), seja para o arranque de pequenas actividades económicas, como para a poupança (investir na compra de casas, terrenos, outros).
§ A Kulima faz parte também do FARE (Fundo para a Reabilitação Económica) nas Províncias de Maputo, Inhambane, Sofala e Zambézia.
Actividades futuras: 2002/2005
· Micro-credito em khongolote, em Mussumbulugo e Unidade 7, num total de +/- 500 micro-creditos.
· Micro-credito familiar para famílias em situacao de extrema pobreza - Polana Canico.
· Credito de fomento Pecuario em Inhambane.
· Credito rural para comercializacao rural nos Distritos de Maringue, Macossa, Gile, Lalaua, Mussoril, Rapale, Nacaroa, entre outros.